PORQUE NÃO GOSTAM OS MEDIA DA SOCIEDADE CIVIL: carta ao Provedor do Jornal Público, por Jorge Marques.

por Jorge Marques (Este texto representa apenas o ponto de vista do autor, não da PASC, nem das associações que a compõem).

 

«Eu peço-lhe imensa desculpa por este e-mail, mas como sou leitor do Público nos cinco dos sete dias em que é publicado, sinto-me com o direito a esta indignação, ou seja, só nos zangamos mesmo com aqueles de quem gostamos.

Mas do que se trata afinal?

Na página 54 do nosso jornal deste domingo vem um título: “A insustentável leveza da União” assinado por Carlos Costa Neves e Maria do Carmo Marques Pinto cujas referências são “Membro da Direção da Plataforma para o Crescimento Sustentável Relatora para os Assuntos Europeus da Plataforma para o Crescimento Sustentável” [sic].» Logo aqui não sei se há alguma gralha ou repetição do português, mas isso não será o mais importante.

Mas qual a verdadeira razão da minha indignação?

Como se sabe, não existe hoje espaço público onde a Sociedade Civil se possa exprimir. O poder acaba por ser exercido através da dominação e o Estado acaba por ser o regulador social. Nesta dominação, os seus agentes têm sido os partidos políticos.

Sem espaço público, poderia ainda restar a opinião pública, mas esta tem sido um espaço de manipulação da Comunicação Social, na medida em que também ela apenas reforça a opinião dos partidos e dos seus comentadores mais próximos. Os media correm o sério risco de virem a ser julgados como coniventes com a impossibilidade de se construir uma verdadeira sociedade democrática.

O artigo em questão é disso um triste exemplo!

A Plataforma para o Crescimento Sustentável, que tem surgido como uma organização da Sociedade Civil, mais não é do que uma forma de anular as iniciativas da verdadeira Sociedade Civil e tentar ocupar e manipular esse espaço. Como se sabe, não passa de uma para-organização do PSD liderada pelo seu Vice-Presidente e destinada a ser uma espécie de viveiro dos futuros dirigentes e governantes. Contra isso não temos nada em contrário, os partidos devem cuidar da formação dos seus quadros, que como todos reconhecemos tem sido deficiente. Achamos mesmo que o líder desta Plataforma, ao contrário de outros, se está a preparar e bem para assumir num tempo mais ou menos breve a liderança desse partido.

A nossa indignação vem da forma em como é dado espaço a mais uma falsa organização da Sociedade Civil, da forma em como muitas dessas genuínas organizações são completamente abafadas pelos media na sua existência e corajosa resistência aos abusos do poder governamental e do Estado em geral. E não é a primeira vez que se tem privilegiado esta Organização partidária no nosso jornal.

Bastará ler o artigo para se perceber que se trata de informação pouco ou nada relevante, de informação que já existe e não traz nada de novo e não acrescenta nada para a solução dos problemas com que nos confrontamos. É apenas uma bela redacção de alguém com título e que deve ser lida no espaço próprio e restrito. Pergunto-me… quanto não seria importante este espaço para algumas dessas Plataformas da Sociedade Civil, verdadeiramente da Sociedade Civil, que sem meios de espécie alguma lutam para que os cidadãos deste país reajam, se envolvam e participem mais activamente na vida do país? Como seria importante poderem ter assim uma página inteira…

Confesso-me, neste particular, muito desiludido com o meu Jornal…

Um abraço,

Jorge Marques.

Lisboa, 8 de Julho de 2012.»

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