ENTRE A PROPAGANDA E O BOTA-ABAIXO: um artigo de Jorge Marques.

 

por Jorge Marques (Este texto representa apenas o ponto de vista do autor, não da PASC, nem das associações que a compõem).

 

 

Parece que o país vive entre estes dois mundos, quando a mensagem não passa de propaganda dos governos, as respostas das oposições são o bota-abaixo e o inverso também é verdadeiro, acontece assim alternadamente e sem alternativas.

Mas este não é o país real, tudo só acontece porque na nossa democracia apenas os partidos políticos falam entre si e recusam-se a ouvir e perceber o país, porque a Sociedade Civil quer construção, com as diferenças, mas essa sociedade está ainda silenciosa e aprisionada. Os ecos do 15 de Setembro mal se ouvem e não foram entendidos por quem os devia ouvir!

Percebemos nos últimos dias e isso não foi negado, que Passos Coelho acelerou a queda do anterior governo com receio de que o partido corresse com ele. Assistimos todos em directo que com Seguro se está a passar a mesma coisa. Esta é a nossa alternância, são os valores aprendidos nas escolas dos partidos!

Significa que os problemas do país, os reais problemas, estão contido apenas numa perspectiva de poder individual ou de um pequeno grupo de indivíduos bem caracterizado.

Percebemos que nada do que se propõe para o país é efectivamente para o melhorar, como é o caso recente da Reforma do Estado, mas apenas para dar essa ilusão e tudo ficar na mesma. Significa que a pressa do Governo nessa Reforma do Estado é para que não se discutam as questões essenciais e que precisam de mudanças profundas, não vá o povo querer mudanças a sério! Do outro lado pergunta-se: E qual é a pressa?

De repente a Sociedade Civil começa ela mesma a ter pressa, uma espécie de inquietação e de urgência para que não sejam apenas os partidos políticos os únicos actores da nossa vida política e do nosso destino como cidadãos e como país. Pergunta porque são apenas os partidos que elaboram a Constituição, que a discutem, que a aprovam, que a aplicam, que a controlam, que nomeiam os juízes que a julgam, que a revêem…?

De repente percebemos que o Primeiro-Ministro e por consequência os governos, são o resultado de um mero bota-abaixo de circunstância, feito por meia dúzia de amigos, que todos eles se estão nas tintas para o país, para as desgraças do país, para gente destruída, arruinada, para os homicídios e suicídios resultantes da crise, para as famílias desfeitas e as vidas destroçadas, para o futuro sem esperança.

Percebemos que as eleições dos chefes dos partidos são um jogo pequenino, mas que esse jogo acaba por se tornar grande e perigoso quando essa gente assume o governo do país.

E porque é que um Primeiro-Ministro, que é coisa séria, tem que nascer desta forma sem sentido? E porque não o elegemos todos e sobre exigentes condições e responsabilidades?

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