Webinar Exclusão Digital – Crianças institucionalizadas

Realizou-se na passada quarta feira, dia 23 de Setembro, com inicio às 21 horas, a PASC – Casa da Cidadania, o 3º webinar sobre Exclusão Digital. Desta vez, visando conhecer melhor a realidade das crianças e jovens que se encontram em casas de acolhimento e saber quais as dificuldades e oportunidades que emergiram com esta crise.

É importante também conhecer se, durante a fase Pandémica, foram identificadas oportunidades de melhoria e definidos planos de acção que permitam, de forma sustentada e objectiva, proceder à Integração Digital das Crianças e Jovens institucionalizados

Credenciais para entrar no ZOOM

https://zoom.us/j/93344327267?pwd=UDhkdDR5UXFFL0tRSkZxcllCbXJpQT09

ID da reunião: 933 4432 7267

Senha de acesso: 915989 

Webinar sobre “Revitalização do Território: o papel da remuneração dos serviços dos ecossistemas”

Realizou-se na passada quinta-feira, dia 17 de Setembro, entre as 20 e as 22 horas, um webinar sobre “Revitalização do Território: o papel da remuneração dos serviços dos ecossistemas”.

O evento contou com dois painéis, um inicial de carácter técnico
científico, que contou com vários académicos e com a Directora
Geral do Território, e um outro de cariz político, com
representantes de vários Grupos Parlamentares.

ENQUADRAMENTO

Os ecossistemas estão na base de toda a vida. Os bens e os serviços que oferecem são fundamentais para a manutenção do bem-estar e para o desenvolvimento económico e social futuro. Entre os bens contam-se a produção de madeira, cortiça, resina, frutos secos, cogumelos silvestres. Já quanto aos serviços prestados, estes vão desde a atividade cinegética, ao recreio e lazer, à paisagem, à polinização, à manutenção da biodiversidade, à conservação dos solos, à regularização dos regimes hídricos, ao sequestro de carbono.

A produção de bens é hoje insuficiente para a fixação e a migração de famílias para as regiões de baixa densidade populacional. Esta insuficiência está na base do êxodo rural e este serve de mote a opções nem sempre adequadas de ocupação e uso dos solos, colocando em risco os ecossistemas. Desta forma, em várias regiões do mundo, desde a Europa à China, tem vindo a ganhar peso a necessidade de quantificar e qualificar os intangíveis, os múltiplos serviços que são prestados pelos ecossistemas. Deles beneficiam toda a sociedade. Através de uma adequada remuneração dos serviços dos ecossistemas será possível conter as ameaças que colocam em perigo a sua sustentabilidade e, em simultâneo, revitalizar as várias regiões do território que sofrem hoje com os riscos decorrentes do despovoamento e do avanço da desertificação.

Neste sentido, quer a Comissão Europeia, quer os vários Estados Membros têm vindo a definir medidas de política para agregar à equação do rendimento rural a remuneração dos serviços dos ecossistemas. Portugal não pode ficar fora desta abordagem, com a inscrição de dotação orçamental específica para este fim

Para abordagem a esta temática, fundamental para a revitalização de um território ameaçado pelo despovoamento, pela desertificação e pelas alterações climáticas, a PASC – Casa da Cidadania promoveu este webinar, para a qual procurou envolver especialistas e decisores políticos.

PROGRAMA

20:00 h. – Abertura e introdução à temática

Américo Ferreira, Presidente da Direção da PASC – Casa da Cidadania

Paulo Pimenta de Castro, Presidente da Direção da Acréscimo – Associação de Promoção ao Investimento Florestal

Painel técnico

20:10 h. – Para uma política de remuneração dos serviços dos ecossistemas

Rui Ferreira dos Santos, Coordenador do estudo “Instrumentos Económicos para a Conservação da Biodiversidade e Remuneração dos Serviços dos Ecossistemas em Portugal”. Professor Associado da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT NOVA). Diretor do Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade (CENSE).

20:25 h. – Infraestruturas verdes e remuneração dos serviços dos ecossistemas

Miguel João de Freitas, Docente da Universidade do Algarve. Foi Diretor Regional de Agricultura do Algarve e Vice-Presidente da Comissão de Coordenação Regional do Algarve. Foi Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural.

20:40 h. – Casos de estudo de remuneração dos serviços dos ecossistemas

Carlos Rio Carvalho, Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade (CENSE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT NOVA).

20:55 h. – Políticas públicas de revitalização do território e dos seus ecossistemas

Fernanda do Carmo, Diretora Geral na Direção Geral do Território. Foi Secretária de Estado dom Ordenamento do Território e Cidades. Foi Vice-Presidente da Comissão de Coordenação Regional de Lisboa e Vale do Tejo.

Painel político

21:10 h. – Mesa redonda: O Orçamento do Estado e a PAC pós-2020 na remuneração dos serviços dos ecossistemas

Representantes dos Grupos Parlamentares

Moderador(a): Ana Clara, Jornalista (Revista AGRITERRA)

21:40 h. – Debate

A participação na sessão é gratuita, basta seguir as coordenadas de acesso.

No debate final, as questões a colocar devem ser introduzidas previamente no “chat”.

 Credenciais de acesso

17 set 2020 08:00 PM Londres 

Entrar na reunião Zoom

https://zoom.us/j/98488958343?pwd=RnFUaGdIWm1qZU5sc1p1c2lWQUdXZz09

ID da reunião: 984 8895 8343

Senha de acesso: 927642

Novos paradigmas de Ensino e Aprendizagem


2ª Sessão do ciclo de Webinars sobre Inclusão / Exclusão Digital

Luísa Agante.- Agante&Kids Movimentos cívicos em tempo de Pandemias, Mais informações em https://www.facebook.com/agantekids

Esta imagem tem um texto alternativo em branco, o nome da imagem é pasc-cartaz-sessao-no2-exclusao-digital-novos-paradigmas-de-ensino-e-aprendizagem.jpg

Clique aqui para Entrar
ID: 898 7134 2185| Senha: 614377 Informações: casadacidadania.pt@gmail.com

Programa

  • Abertura
  • Introdução à temática
  • Calendário de eventos
  • Ensino à distância em Portugal: A avaliação dos Professores: por João Marôco
  • Movimentos cívicos em tempo de Pandemias: por Luisa Agante
  • A sala de aulas do Futuro: por José Carlos Marques
  • Debate com a moderação de Nuno Luz e a participação de
  • Luisa Agante, João Marôco e José Carlos Marques
  • Perguntas e Respostas

Da Exclusão à Inclusão Digital

Sessão de Abertura

Dia 23 Jul 2020 – das 21:00 às 23:00
“Da #Exclusão à #Inclusão Digital – Oportunidades e Ameaças?”,

Apresentação de Jorge Robalo – Direção PASC

Apresentação de João Marôco – Professor / Investigador do ISPA

 

Sustentabilidade e Autonomia da Comunicação Social

Duas sessões no mesmo dia

Às 11h da manhã temos  os seguintes oradores:

PASC - Cartaz - Comunicação Social - Manhã

Às 17h da tarde temos  os seguintes oradores:

COMUNICADO – Covid19 – Desconfinamento Responsável

PASC Desconfinamento responsavel

PASC – Covid19 – Desconfinamento responsável – Versão em PDF

A Direcção da Plataforma de Associações da Sociedade Civil, PASC – Casa da Cidadania, no sentido de contribuir para um processo de desconfinamento responsável, aprovou solicitar ao Governo Português um conjunto de medidas que entendemos poderem assegurar um melhor processo de desconfinamento:

  1. Proceder a uma adenda do Decreto-Lei 20/2020, 2020-05-01 – DRE, no sentido de rectificar o erro de obrigatoriedade de Máscara ou Viseira. Esta alteração permite clarificar a situação existente de ter um decreto-lei não-alinhado com o discurso do Governo de obrigatoriedade do uso de máscara, com o qual concordamos;
  2. Assegurar um controlo activo e positivo sobre todas as entidades. Para o efeito, entendemos como urgente e indispensável reforçar a actuação de controlo e de informação das nossas autoridades junto da população, comerciantes e industriais. Esta actuação é indispensável se queremos um país mais seguro para todos, os que vivem em Portugal e para aqueles que pretendem visitar-nos. Este aumento de segurança pretende também contribuir para mitigar as perdas económicas sentidas em Portugal principalmente pelo sector do turismo. Alertamos que não é necessário grande esforço para encontrar, pelo país dentro situações de risco, entre outras:

a) Locais de Comércio onde a obrigatoriedade de uso de máscara, incluindo o uso de viseira, destina-se somente aos clientes. Falamos de restaurantes, cafés, associações, lojas comerciais, obras, e muitos outros;

b) Locais de Comércio sem qualquer sinalização e/ou medidas de higiene adicionais;

c) Agrupamentos de pessoas em esplanadas ou junto a estas, sem adoptarem medidas de segurança como o distanciamento ou a utilização de máscara;

d) Agrupamento de colaboradores de Câmaras Municipais e Juntas de Freguesias, nas bermas da estrada, sem máscara (incluindo viseiras) e sem assegurarem o correcto distanciamento, quer no período de trabalho quer no de descanso.

e) Agrupamento de colaboradores de empresas de construção civil, oficinas e outros, sem máscara (incluindo viseiras) e sem assegurarem o correcto distanciamento, quer no período de trabalho quer no de descanso. Relembramos que o uso de máscara, em alguns destes casos, deveria já ser obrigatório no âmbito da segurança no local de trabalho

f) Funcionários de empresas de entregas ao domicílio, que por vezes têm que entrar em casas particulares, que não utilizam qualquer protecção facial;

g) Entrada de cidadãos estrangeiros para visita e comércio esporádico, pelas fronteiras, antes da sua abertura oficial.

Sem querer enumerar um role exaustivo de situações, entendemos que os exemplos acima expostos são mais que suficientes para demonstrar que o controle implementado, nesta fase de desconfinamento, é insuficiente pelo qual é necessário um reforço urgente que permita mitigar os riscos de um retrocesso da situação actual e de desperdício do esforço nacional ao qual todos os cidadãos portugueses foram submetidos.

A Direcção da PASC – Casa da Cidadania

Lisboa, 25 de Junho de 2020

Estado de Calamidade

Estado de Calamidade Covid 19

Plano de desconfinamento – Quadro sítese pdf

Plano de desconfinamento – Apresentação pdf

Covid 19 Plano Calamidade

Informação oficial sobre o Covid-19

DRE Covid-19

Estamoson

Para quem quiser copiar a tabela, aqui fica em formato texto:

Plano de Desconfinamento

Data

Medidas Condições

Regras Gerais

4/05

Confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa

Dever cívico de recolhimento domiciliário
Proibição de eventos ou ajuntamentos com mais de 10 pessoas Lotação máxima de 5 pessoas/100m2 em espaços fechados Funerais: com a presença de familiares

30-31 /05

Cerimónias religiosas: celebrações comunitárias de acordo com regras a definir entre DGS e confissões religiosas

Transportes Públicos

4/05

Lotação de 2/3

Uso obrigatório
de máscara/ Higienização e limpeza

Trabalho

4/05

Exercício profissional continua em regime de teletrabalho, sempre que as funções o permitam

1/06

Teletrabalho parcial, com horários desfasados ou equipas em espelho

Serviços Públicos

4/05

Balcões desconcentrados de atendimento ao público (repartições de finanças, conservatórias, etc.)

Uso obrigatório
de máscara / Atendimento por marcação prévia

1/06

Lojas de cidadão

Comércio e restauração

4/05

Comércio local: lojas com porta aberta para a rua até 200m2 Cabeleireiros, manicures e similares
Livrarias e comércio automóvel, independentemente da área

– Lojas: Uso obrigatório de máscara / funcionamento
a partir das 10h para as lojas que reabrem

– Cabeleireiros e similares: Por marcação prévia
e condições específicas
– Restaurantes: Lotação

a 50%, funcionamento até às 23h e condições específicas

18/05

Lojas com porta aberta para a rua até 400m2 ou partes de lojas até 400 m2 (ou maiores por decisão da autarquia)

Restaurantes, cafés e pastelarias/ Esplanadas

1/06

Lojas com área superior a 400m2 ou inseridas em centros comerciais

Escolas e Equipamentos Sociais

18/05

11o e 12o anos ou 2o e 3o anos de outras ofertas formativas (10h-17h)

Equipamentos sociais na área da deficiência Creches (com opção de apoio à família)

Escolas: Uso obrigatório
de máscaras (exceto crianças em creches e jardins
de infância)

1/06

Creches / Pré-escolar / ATLs

Cultura

4/05

Bibliotecas e arquivos

18/05

Museus, monumentos e palácios, galerias de arte e similares

1/06

Cinemas, teatros, auditórios, salas de espetáculos

Com lugares marcados, lotação reduzida
e distanciamento físico

Desporto

4/05

Prática de desportos individuais ao ar livre

Sem utilização
de balneários nem piscinas

30-31 /05

Futebol: competições oficiais da 1.a Liga de Futebol e Taça de Portugal

Covid-19 – Solidariedade humanitária entre países

PASC Covid_19 Tomada de Posicao

Contributo para uma melhor Cidadania

Covid-19 – Solidariedade humanitária entre países

“Responsabilidade Social e Humanitária”

Versão em PDF

No contexto adverso com que hoje nos deparamos, nunca foi tão urgente apelar ao sentido de Responsabilidade Social e Humanitário (RSH) de todos os cidadãos, empresas e governos. Se por um lado, salvo poucas excepções, este sentimento de responsabilidade social tenha sido uma realidade, existem ainda pessoas, empresas e governos que contribuíram, nos últimos dias, para aumentar o déficit em termos de RSH perante a sociedade mundial.

A Direcção da Plataforma de Associações da Sociedade Civil, PASC – Casa da Cidadania, no sentido de reforçar o bom trabalho que tem vindo a ser feito em Portugal, cumpre dar conhecimento ao governo Português de um conjunto de medidas que entendemos como vitais:

1. liderar pelo exemplo:

a) com a entrada em vigor da obrigatoriedade da utilização de máscaras, como medida de responsabilidade social, seguindo o princípio “use máscara para proteger os outros”, é imperativo que os mais altos dignatários deem o exemplo;

b) é ainda exigível que todos os cidadãos sejam tratados da mesma forma perante a lei, pelo que funcionários públicos, onde se incluem os camarários, jornalistas e demais profissões respeitam a utilização de máscaras, quer em espaços públicos quer, principalmente, nas emissões televisivas quando se verifica a presença de convidados;

2. liderar pela inovação, dinamizando a economia Portuguesa:

a) Incentivar a produção nacional de produtos indispensáveis perante esta situação de emergência pandémica. Em situações de dificuldade é importante identificar “oportunidades” de mitigação de dificuldades, não de lucro fácil, que possam contribuir para o bem-estar global. A título de exemplo, e no seguimento de iniciativas locais e particulares já em curso, é critico estudar, a nível nacional, com as associações industriais e instituições de ensino superior, a produção, em grande escala, de bens que sejam escassos e que, no contexto actual, se traduzem por máscaras, equipamentos de protecção, zaragatoas, álcool, entre outros.

Como para qualquer outra actividade económica é fundamental um estudo de viabilidade económica, só que neste caso, sem impactar a viabilidade e realização urgente da empreitada, mas para identificar e quantificar a necessidade de financiamento do estado, de modo a cobrir perdas financeiras, caso se verifiquem. Outros modelos de comparticipação financeira podem ser aplicados, salvaguardando sempre a urgência da operacionalização.

A comercialização destes bens deverá seguir um princípio de “custo justo”, incluindo todos os custos de investimento e posterior desmantelamento, caso se justifiquem, sendo que caberá ao estado suportar, caso exista, a diferença entre o custo “custo justo” e o “custo justo do bem praticado pelo mercado não afectado pela escassez de produto” (neste caso poder-se-ia utilizar como data de referência 31Dez2019);

b) aplicando uma óptica Europeísta, o proposto na alínea anterior (2.a), deveria ser financiada a 100% pela Comunidade Europeia (CE), considerando o apoio social e humanitário a todos os países comunitários, numa primeira fase, e, posteriormente, a outros, de modo a combater a especulação e a dependência dos actuais fornecedores mundiais;

c) ainda numa óptica Europeísta;

i) identificar a Potencial Margem de Solidariedade do Pais (PMS-PT), no sentido de receber doentes sem covid19 de outros países. Esta medida terá sempre que ressalvar uma margem de reserva nacional com reavaliação dinâmica, fase à evolução da pandemia ou de outra patologia que seja pertinente considerar. Sabendo que existem unidades de saúde novas inoperacionais, bem como, outras mais velhas que podem ser recuperadas parcialmente e ainda possíveis excedentes em algumas unidades operacionais, é urgente, do ponto de vista humanitário, implementar medidas de solidariedade entre povos. Nesta lista, para além do número de pacientes, é necessário saber quais os recursos necessários para a operacionalização desta “bolsa de solidariedade”, quer seja em termos de recursos humanos quer de todo e qualquer recurso necessário à sua operacionalização;

ii) em articulação com a ONU (Organização das Nações Unidas) e CE, estudar e pilotar a operacionalização da iniciativa referida na alínea anterior (2.b);

3. lutar por uma forte Responsabilidade Social Global (RSG):

a) em articulação com a CE, solicitar a intervenção\comprometimento do governo chinês no combate aos preços especulativos, nomeadamente, no que se referem a bens de saúde fundamentais ao combate desta pandemia e outros bens de primeira necessidade;

b) Entendemos ainda que, qualquer uma das medidas acima requerem a criação de procedimentos de controlo operacionais, financeiros e qualitativos rigorosos.

 

A Direcção da PASC – Casa da Cidadania

Lisboa, 23 de Abril de 2020

O Mundo depois do Coronavírus segundo Yuval Harari

Harari reflete sobre o Coronavírus e o impacto para o futuro da humanidade num artigo de ontem do Financial Times, intitulado “O mundo depois do Coronavírus”.
Ele diz que “a humanidade agora está a enfrentar uma crise global. Talvez a maior crise da nossa geração.”
“Neste momento de crise, enfrentamos duas escolhas particularmente importantes. A primeira é entre a vigilância totalitária e o aumento do poder do cidadão. A segunda é entre o isolamento nacionalista e a solidariedade global”.
Para Harari, a novidade agora é que haverá uma transição dramática da vigilância “sobre a pele” para a vigilância “sob a pele”. E descreve o seguinte cenário:
“Considere um governo hipotético que exija que todo o cidadão use uma pulseira biométrica que monitoriaze a temperatura do corpo e a frequência cardíaca 24 horas por dia. Os dados resultantes são acumulados e analisados ​​por algoritmos governamentais. Os algoritmos saberão que você está doente mesmo antes de conhecê-lo e também saberão onde você esteve e quem conheceu. As cadeias de infecção podem ser drasticamente encurtadas e até cortadas por completo. É possível que esse sistema possa parar a epidemia em questão de dias. Parece maravilhoso, certo?”
E para os cidadãos?
“Se eu pudesse rastrear a minha própria condição médica 24 horas por dia, aprenderia não apenas se me tornei um risco à saúde de outras pessoas, mas também quais os hábitos que contribuem para minha saúde”
“Se não conseguirmos fazer a escolha certa, poderemos perder a liberdade, pensando que essa é a única maneira de proteger a nossa saúde.”
Em relação à questão do isolamento nacionalista ou a solidariedade global. Harari conclui:
“A humanidade precisa fazer uma escolha. Iremos percorrer o caminho da desunião ou adotaremos o caminho da solidariedade global? Se escolhermos a desunião, isso não apenas prolongará a crise, mas provavelmente resultará em catástrofes ainda piores no futuro. Se escolhermos a solidariedade global, será uma vitória não apenas contra o Coronavírus, mas contra todas as futuras epidemias e crises que possam assaltar a humanidade no século XXI.”
De certeza que as tecnologias da saúde e de vigilância vão ser aceleradas, mas as escolhas políticas e de cidadania irão estar em questão nos próximos anos:
Mais poder aos governos ou aos cidadão?
Mais nacionalismos ou mais colaboração entre países?
Dilemas de Harari Coronavirus 1

Deixo aqui também extratos da entrevista a Yuval Harari da responsabilidade do jornalista Pedro Rios no jornal Público a 22/03/2020, igualmente obre a crise do Coronavírus, intitulada  “Parece não haver adultos na sala”

PR: O que o assusta neste momento:
YH: “Uma coisa que realmente me assusta é que, em nome do combate ao coronavírus, vários homens fortes abolirão todos os controlos e equilíbrios democráticos e estabelecerão a “coronaditadura”. Isto acaba de acontecer em Israel: Israel é agora uma coronaditadura”

PR: Qual a esperança?
YH: “.Os humanos são agora muito mais poderosos do que os vírus. Temos o conhecimento científico necessário para superar esta epidemia”.

PR: Uma epidemia ou pandemia é uma coisa terrível, mas pode mostrar-nos a nossa natureza humana?
YH: “A epidemia deve lembrar-nos de que todos nós partilhamos a mesma natureza humana e os mesmos interesses básicos… a fronteira realmente importante que precisamos de guardar é a fronteira entre o mundo humano e a esfera do vírus. Esta fronteira passa dentro do corpo de cada ser humano.”.

PR: A luta contra o Coronavírus é prejudicada pelas agendas nacionais?
YH: “Infelizmente, devido à falta de liderança, não estamos a tirar o máximo partido da nossa capacidade de cooperação. Nos últimos anos, políticos irresponsáveis têm deliberadamente minado a confiança na ciência e na cooperação internacional. Estamos agora a pagar o preço por isso”.

PR: Existe um perigo real de os políticos usarem esta crise para fechar fronteiras e aumentar a polarização e a xenofobia, uma tendência que já vinha de trás? Ou, pelo contrário, irá a pandemia fomentar os laços e a solidariedade entre os países?
YH: “Depende de nós. Espero sinceramente que a pandemia fomente a solidariedade, não só entre os países, mas também dentro dos países. Infelizmente, nos últimos anos, assistimos à ascensão de líderes populistas, como Donald Trump e Jair Bolsonaro, que incitam ao ódio não só contra os estrangeiros, mas até mesmo contra concidadãos. Estes líderes têm feito tudo ao seu alcance para dividir a sociedade em campos hostis, retratando a oposição não como rivais legítimos, mas sim como traidores perigosos. Desta forma, ganharam a lealdade de uma metade da sociedade, ao mesmo tempo que alienaram completamente a outra”.

Harari acaba a entrevista com a seguinte frase:
YH: “Uma população automotivada e bem informada é geralmente muito mais poderosa e eficaz do que uma população policiada e ignorante”.

Vejam o resto no jornal Público e guardem o jornal, pois vale a pena…

Adaptado por Luís Vidigal a partir do artigo do Yuval Harari no Financial Times de 20 de Março de 2020
e da entrevista no jornal Público de 22/03/2020

Este texto é da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não compromete em nada a perspetiva da PASC – Casa da Cidadania ou os seus associados