LISBOA · CAPITAL EUROPEIA DO VOLUNTARIADO · 2015

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No final de 2014, a cidade de Lisboa foi escolhida por um júri internacional como Capital Europeia do Voluntariado em 2015, sucedendo à cidade de Barcelona, estando a decorrer durante o corrente ano vários projetos no âmbito desta iniciativa, nos quais qualquer pessoa pode participar e colaborar.

O estatuto de Capital Europeia do Voluntariado pretende promover o voluntariado a nível das políticas locais, dando ênfase às cidades que melhor desenvolvem e acolhem estratégias de participação e envolvimento de parceiros e organizações de voluntários nas suas estratégias de intervenção.

Do compromisso de Lisboa como Capital Europeia do Voluntariado 2015 resultam os seguintes objetivos:

  • Promover o voluntariado na cidade de Lisboa;
  • Contribuir para a visibilidade e o reconhecimento do voluntariado a nível local, nacional e internacional;
  • Promover sinergias sustentáveis para o voluntariado na cidade de Lisboa, assegurando o envolvimento das Juntas de Freguesia e das entidades que promovem o voluntariado;
  • Dar continuidade à implementação das recomendações da Agenda Política Europeia para o Voluntariado;
  • Contribuir para consolidar a visibilidade da competição Capital Europeia do Voluntariado.

Saiba mais sobre Lisboa · Capital Europeia do Voluntariado’2015 e como participar no sítio respetivo.

MELHOR RECONHECER E VALORIZAR O COMPROMISSO VOLUNTÁRIO DOS BOMBEIROS NA COMUNIDADE: um artigo de José Ferreira, da LBP.

por José Ferreira (Este texto representa apenas o ponto de vista do autor, não da PASC, nem das associações que a compõem).

 

É minha convicção de que é urgente consciencializar os cidadãos do carácter infinitamente precioso e insubstituível dos serviços realizados pelos bombeiros voluntários.

Mas, tanto quanto os cidadãos, é desejável que a administração reconheça e estimule a sua importância.

A verdade é que todo o sistema de protecção e socorro, sem os voluntários, desabaria.

A complexidade da vida moderna, o individualismo, as exigências do mundo do trabalho, associadas em parte do nosso território, ao envelhecimento e desertificação, conduzem a alguma crise no voluntariado, nada podendo substituir os voluntários, quer no plano humano, quer no plano orçamental.

Hoje, parece evidente que, se quisermos manter o mesmo nível de protecção, há que, por um lado, alargar o viveiro de recrutamento e, por outro lado, é indispensável fazer com que se aumente o seu tempo de permanência no activo, e fidelizar cada vez mais os já comprometidos.

Três rubricas são da maior importância: gestão de recursos humanos, formação e reconhecimento.

Flexibilidade e adaptabilidade devem ser as palavras-chave.

Se não se quer desencorajar, a formação não pode ser demasiado rígida, é preciso reconhecer as competências profissionais adquiridas, evitar os choques familiares ou com as empresas. Devem ser as preocupações sempre presentes.

A condução dos voluntários deve repousar na adaptabilidade, no diálogo e na concertação.

Um segundo ponto tem a ver com o reconhecimento. Os voluntários não assumem o compromisso por interesse, mas por devoção, dedicação a uma causa que os ultrapassa.

A nobreza deste compromisso não deve ser subestimada.

É importante que a comunidade testemunhe o seu reconhecimento àqueles que lhes dedicam parte do seu tempo e da sua vida.

Os voluntários formam um corpo que tem a sua história, longa e apaixonante, suas tradições e regras, mas exigências próprias.

É indispensável o reconhecimento de tudo isto na lei, que estas especificidades sejam reconhecidas claramente no edifício legislativo, como importa responder de modo claro às novas exigências da protecção jurídica dos voluntários, cada vez mais expostos, nesta perspectiva, por uma vocação que os conduz naturalmente a assumir certos riscos.

Voluntário significa dádiva de si próprio; compromisso desinteressado em proveito da comunidade; vontade de serviço público e o primado do interesse público sobre o interesse pessoal.

Numa época em que ouvimos dizer que vão ser reduzidos os meios aéreos, reduzidos o número de Grupos de primeira intervenção no DECIF e a turbulência com o Ministério da Saúde, pergunto:

Será que não serão os voluntários a primeira força em que as comunidades podem acreditar?

Que mal fizeram ao País, para continuarem a ser maltratados?

A defesa dos nossos princípios, tem de ser feita em voz alta, através de uma postura de absoluta independência e descompromisso com o sistema que tem desconsiderado os Bombeiros.